sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Castigo

O teu nome é uma palavra que eu não escrevo, o teu olhar é de um mundo que eu não conheço… A tua boca tem sabor nostálgico, tira o sono e dá lugar a um poema que não quero decorar. Tu não és deste planeta, és bom demais e deliciosamente impossível de possuir, tu és amor que nunca terá o meu nome. Eu sei que queres fugir das mil maneiras diferentes que aprendi a olhar para ti, ora perturba, ora acarinha, ora odeia, ora ama. ... e tu, ora foge, ora sorri, ora desaparece, ora aparece sempre. Ora fecho os olhos e vejo-te por dentro, ou abro e vejo por fora e por dentro. Simultaneamente. Tu avarias e desconcertas o meu rumo inteiro, uma pessoa pensa que está curada, mas afinal estava só enganada. A dor é uma coisa que engana, a saudade é uma coisa louca da qual já não sei escrever. Porque tive tantas saudades que senti saudades de não as ter. É complicado, e amar dá trabalho. E tu foste, ao longo dos tempos, a única voz que eu ainda não consegui calar, a única dor que não enterrei e o único amor que amei sem nunca esquecer. Eu queria trazer-te comigo, não sei muito bem para onde, sabia antes de surgires da terra, mas agora já não quero ir a lado nenhum senão ao teu lado. Tu gozas-me, se calhar achas-me criança porque verdade seja dita, sempre me portei como uma criança. Mas quem diria que criança merece tantos anos de castigo…!

sábado, 15 de dezembro de 2012

Eu sofro de acordo com o método que me foi ensinado, cansei de conversa fiada. Cansei a cabeça e a alma, precisava de adormecer por uns dias. O tempo parou e vivo anestesiada de uma doença sem cura. Tenho a cabeça a andar à roda, tenho mesmo e parece que cada dia que passa estalam guerras e morrem palavras, antes sequer de eu as ter para mim. Eu morri. Não dá para ver mas eu morri. Acho que se enfureceu o céu com a terra, e cederam todas as regras do abismo. Cederam porque são fracas. Eu não sou fraca porque eu já morri. E não há força mais forte do que a morte.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Top Tracks for Archive (lista de reprodução)

Rápido, eu não tenho pressa mas também não quero perder tempo… Enquanto ele não vem, vou vivendo assim neste meio termo, continuo a consumir e a disfarçar-me de felicidade, Vou aguentando, cada vez mais no fundo do poço, um dia o meu amor chega e atira-me uma corda, eu nunca me sentiria perdida se ele segurasse minha mão, um dia ele chega e vai-me cantar a canção segredo com palavras que eu nunca ouvi. Sim porque ele ama a música e sente as palavras como eu sinto. Vem sujo pois também se deparou com muito lixo ate me encontrar a mim, traz os olhos chorosos e as mãos com calos; morte deixa-me tranquila só mais esta noite para eu poder sonhar com o meu amor, é que eu tenho medo de dormir, de o mundo acabar e o meu amor não chegar; vem rápido, vamos viver juntos a nossa história a contra-relogio, porque eu já a escrevi mas ainda não a vivi. Morte deixa-me dormir hoje, porque eu sei que amanhã o meu amor vai chegar, e vai-me atirar uma corda. Rápido, rápido, estou-me quase a afogar. Tem passos largos e cansados, de quem correu o mundo à minha procura, mas eu estou aqui! E nós encaixamos… coleciona tatuagens como quem estima cicatrizes de uma dor que já foi curada, mas doeu enquanto durou… todo esse caminho foi duro mas ele nunca precisou de se vender à sociedade, tem coração selvagem e personalidade forte, não é falso nem hipócrita e é por isso que é o meu amor. Daí, nem me importo que traga as roupas rasgadas, e a alma a pesar toneladas, o mundo vai acabar e tudo o que nos resta é esta corrida na qual reuni-os a coragem necessária para fazer o que nos levou uma vida a planear. Todas as portas se fecharam, os semáforos estão apagados, cinzas de um mundo que não tem muito mais para dar… mas o meu amor ainda vai chegar. Anda, chega agora, atira-me a corda, antes que o mundo acabe, só para vivermos uma historia feita a contra-relógio, que eu já escrevi.